
Nicolò Bulega sagrou-se campeão mundial de Superbikes no domingo, 27 de Setembro, ao terminar em segundo lugar a corrida principal de Cremona, em Itália. O piloto da Ducati precisava de ficar entre os cinco primeiros para fechar as contas do campeonato, e confirmou o título a duas rondas do fim da temporada.
A vitória nessa prova foi para o colega de marca Iker Lecuona, que completou as 23 voltas com 8,590 segundos de vantagem. Yari Montella fechou o pódio, a 12,724 segundos do vencedor. Bulega não precisou de discutir a primeira posição: o segundo lugar bastou para tornar inalcançável a diferença na classificação.
O resultado deixou o italiano com 602 pontos, contra 469 de Lecuona. Restam as etapas do Estoril e de Jerez, nas quais estão disponíveis, no conjunto, 124 pontos. Mesmo que o rival espanhol vença tudo o que falta, a margem de 133 pontos não pode ser anulada. A matemática deu ao fim-de-semana de Cremona um peso que ia além da corrida.
A conquista também prolonga a sequência de bons resultados de Bulega nesta ronda. Já tinha sido segundo na corrida Superpole, disputada no domingo de manhã, enquanto Lecuona completou o pleno de vitórias em Cremona: triunfou na primeira corrida principal, no sábado, na Superpole e na segunda prova. A RTP registou a celebração do novo campeão, que agradeceu à equipa por lhe ter dado “esta oportunidade incrível”.
Bulega torna-se o segundo italiano a conquistar o título mundial da categoria, depois de Max Biaggi, campeão em 2010 e 2012. A associação a uma geração anterior dá à vitória uma dimensão especial em Itália, mas o feito é sobretudo a confirmação de uma campanha consistente ao longo de uma época em que o piloto construiu a vantagem necessária para poder gerir o momento decisivo sem correr riscos desnecessários.
Para quem acompanha as corridas a partir de Portugal, a notícia tem uma continuação imediata. A próxima ronda realiza-se no Autódromo do Estoril, entre 9 e 11 de Outubro, antes do encerramento da temporada em Jerez de la Frontera. Miguel Oliveira, que compete pela BMW, também estará de regresso ao circuito português, numa fase em que ocupa o 12.º lugar do campeonato com 109 pontos.
A prova de Cremona foi menos feliz para Oliveira: abandonou na segunda volta, após uma queda na curva 10, depois de ter partido do oitavo lugar e recuperado posições no arranque. A informação da RTP refere que não sofreu consequências físicas. O resultado não altera o título já decidido, mas mantém interesse próprio para o público português na próxima ronda, onde o piloto terá oportunidade de voltar a competir perante os adeptos locais.
Há um contraste interessante entre o campeonato resolvido e a temporada ainda em andamento. A coroa de Bulega está entregue, mas as últimas duas rondas continuam a contar para as posições seguintes e para o balanço de cada equipa. E, com o Estoril logo à porta, a etapa portuguesa ganha um foco adicional: será a primeira corrida depois de o título deixar de estar em disputa.
Mais do que uma vitória isolada, Cremona confirmou a vantagem que Bulega vinha a construir e abriu espaço para olhar já para o que resta da época. Para os adeptos em Portugal, o próximo capítulo está marcado no calendário, não apenas como a visita de um campeonato internacional, mas como a primeira oportunidade de ver o campeão correr depois de selar a conquista.



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