
Francisco Cabral e o norte-americano JJ Tracy qualificaram-se esta segunda-feira para a final de pares do torneio de Hangzhou, na China. A dupla venceu Jean-Julien Rojer, dos Países Baixos, e Theodore Winegar, dos Estados Unidos, por 6-4 e 7-6 (7-3), num encontro que durou uma hora e 32 minutos.
O resultado teve a clareza de dois sets, mas o desempate do segundo deixou pouco espaço para relaxar. Cabral e Tracy fecharam-no por 7-3, depois de terem construído vantagem no primeiro parcial. Foram terceiros cabeças de série no torneio, uma condição que traz expectativa, mas não oferece qualquer atalho numa meia-final.
A final será frente aos neerlandeses Sander Arends e David Pel, classificados nos lugares 48 e 49 do ranking de pares. O encontro junta dois pares com trajectos diferentes nesta edição: Cabral regressa à decisão em Hangzhou, enquanto a parceria com Tracy procura o primeiro título em conjunto.
Para o português, esta é já a 13.ª final no circuito ATP e a terceira em 2026. Cabral, de 29 anos, procura o sétimo título da carreira ao mais alto nível. O anterior chegou no início do ano, em Brisbane, ao lado do austríaco Lucas Miedler, parceiro com quem conquistou quatro torneios.
A campanha actual tem também uma história própria. Cabral e Tracy começaram a jogar juntos na preparação para o Open dos Estados Unidos. O melhor resultado anterior da dupla tinha sido a terceira ronda do último Grand Slam da temporada; em Hangzhou, passaram agora dessa marca e chegam a uma final pela primeira vez lado a lado.
Os números de ranking ajudam a perceber o lugar de cada um no quadro: Cabral aparece em 34.º e Tracy em 43.º, segundo a RTP e o Maisfutebol. A combinação entre experiência do português em finais e uma parceria recente tornou-se suficiente para os colocar a um encontro do troféu. Ainda falta, naturalmente, o jogo decisivo. A diferença de nove lugares no ranking também mostra dois percursos distintos que, nesta semana, se encontraram numa parceria eficaz.
Hangzhou não é um palco desconhecido para Cabral. Há um ano, venceu o torneio com Miedler, pelo que esta semana lhe oferece a possibilidade de regressar ao mesmo título com outro parceiro. Revalidar uma vitória em pares nunca é uma repetição simples: muda o companheiro, muda a dinâmica em campo e cada ronda exige nova adaptação.
É precisamente aí que esta final ganha interesse para quem acompanha o ténis português. Cabral chega com resultados que mostram continuidade, mas a parceria com Tracy ainda está a construir referências comuns. A passagem da terceira ronda do US Open para uma decisão ATP em poucas semanas sugere que encontraram rapidamente uma linguagem competitiva; o teste maior será saber se ela resiste ao último encontro.
Há ainda um detalhe que vale acompanhar para lá do resultado: a capacidade de Cabral manter-se entre os pares mais competitivos do circuito enquanto experimenta novas combinações. Uma final não garante um título, mas confirma que a aposta nesta dupla já produziu um salto concreto. Se vencerem Arends e Pel, Cabral alcançará o sétimo troféu e voltará a celebrar num torneio onde já conhece o caminho até ao topo.



0 comentários
Inicia sessão para participares na conversa.