
Cristiano Ronaldo viu do banco a vitória de Portugal por 2-1 sobre a Noruega, no domingo, sem chegar a entrar. Aos 41 anos, o capitão passou um jogo oficial inteiro como suplente não utilizado pela primeira vez desde 15 de Junho de 2008, quando Portugal defrontou a Suíça no Campeonato da Europa.
A distância entre as duas ocasiões é invulgar para um internacional com uma carreira tão longa. Em Oslo, Jorge Jesus escolheu Gonçalo Ramos para liderar o ataque e manteve Ronaldo fora das substituições. Portugal chegou ao fim com os três pontos e um dado estatístico que se estende muito para lá do resultado.
A última vez que Ronaldo tinha ficado no banco durante um encontro oficial foi na fase de grupos do Euro 2008. Portugal já tinha assegurado a passagem à fase seguinte e a liderança do Grupo A antes de perder por 2-0 com a Suíça, anfitriã do torneio. Hakan Yakin marcou os dois golos helvéticos, segundo a reconstituição de A Bola.
A comparação exige uma distinção: estamos a falar de jogos que contam para uma competição, não de todos os encontros da selecção. Em 8 de Junho de 2024, num particular com a Croácia no Estádio Nacional, Ronaldo também não foi utilizado. A equipa perdeu por 2-1 nesse ensaio, poucos dias antes de partir para o Europeu.
A cronologia ajuda a medir a raridade, mas não explica por si só a escolha de Jesus. O seleccionador tinha convocado o avançado e podia recorrer-lhe durante o encontro; preferiu manter o onze que começara a partida e as alternativas usadas em campo. A decisão fica registada, mas não prova uma mudança definitiva na hierarquia da equipa.
Antes do apito inicial, a RTP publicou a formação portuguesa, com Diogo Costa na baliza e Gonçalo Ramos na frente. João Félix e Ramos marcaram os golos de Portugal, enquanto Erling Haaland fez o tento norueguês, de acordo com o relato do Maisfutebol. O encontro teve, assim, protagonistas suficientes sem que o capitão precisasse de participar directamente no marcador.
Para Portugal, o dado mais útil é talvez o contexto: Ronaldo não saiu da convocatória nem deixou de estar disponível, mas a equipa conseguiu ganhar com outra solução no ataque. Isso não permite concluir que a selecção prescinda dele daqui em diante. Mostra, antes, que o lugar de um jogador histórico também se negoceia jogo a jogo, em função das opções técnicas e do que acontece em campo.
Há uma diferença importante entre um particular de preparação, como o jogo com a Croácia, e uma partida oficial em que estão em causa pontos. Em 2008, o apuramento já estava garantido; agora, a selecção atravessa outra geração e outro ciclo competitivo. O intervalo de mais de dezoito anos dá peso à estatística, mas os dois episódios não são réplicas um do outro.
Ronaldo continua a ser uma figura central da equipa, mas esta vitória recorda que a continuidade também passa por preparar alternativas reais. O que vale a pena acompanhar não é apenas quantas vezes o capitão joga: é a forma como Portugal distribui responsabilidades quando ele não está em campo. Em Oslo, a resposta imediata foi um triunfo; a próxima convocatória dirá mais sobre o lugar que Jesus imagina para ele.



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