
A passadeira dos MTV Video Music Awards, em Los Angeles, juntou transparências, plumas e corseteria na noite de domingo. Entre os looks que deram carácter à chegada das estrelas estiveram o vestido de renda preta de Teyana Taylor, o conjunto de Tyla e a silhueta vitoriana de Bella Poarch.
A variedade não significou ausência de um fio comum. Em vez de uma tendência única, várias escolhas trabalharam a textura e a construção da roupa: volumes de penas, estruturas inspiradas em espartilhos e tecidos que deixam ver camadas. É um vocabulário familiar na passadeira dos VMA, mas aqui apareceu repartido por propostas com personalidades distintas. A construção da roupa foi tão expressiva como a escolha da cor.
Taylor escolheu uma criação de alta-costura de Zuhair Murad para o Outono de 2026. A peça, descrita pela HelloBeautiful, combinava renda preta transparente, decote profundo e uma faixa larga na cintura. As penas enquadravam o pescoço, os punhos e a bainha, acrescentando movimento a uma silhueta ajustada.
O detalhe importa porque o vestido não dependia apenas da transparência. A renda desenhava a linha do corpo, enquanto as penas davam escala e interrompiam a superfície escura. Taylor completou o conjunto com tranças presas em dois apanhados altos e maquilhagem esfumada, numa composição em que cabelo e roupa apontavam na mesma direcção teatral.
Tyla seguiu por outra via. A Harper’s Bazaar identificou a peça como sendo da Mowalola, acompanhada por jóias Chopard; a Hola também destacou a artista entre as figuras em evidência na passadeira. O resultado troca o romantismo da renda de Taylor por uma linguagem de moda mais gráfica, sem deixar de usar os acessórios como parte central do conjunto.
Bella Poarch apareceu com uma proposta de inspiração vitoriana, marcada por corseteria e estrutura visível, segundo a AOL. Essa construção, que normalmente fica escondida sob o tecido, tornou-se parte do desenho. A escolha aproxima-se de uma tradição de figurinos que usam a roupa para criar personagem, algo que encaixa bem numa cerimónia dedicada à imagem e à performance musical.
A lista de materiais foi mais ampla do que estes três exemplos. A HelloBeautiful assinalou ainda transparências, cristais, penas, pele e motivos de padrão animal entre os looks da noite, enquanto a Harper’s Bazaar identificou criações de casas como Saint Laurent, Calvin Klein, Nina Ricci e Roberto Cavalli noutras chegadas. Não houve, portanto, um uniforme informal: o interesse esteve no contraste entre referências e silhuetas.
Os prémios musicais também são momentos de circulação de moda. Uma peça vista durante alguns minutos pode levar o nome de uma casa, de um estilista e de uma técnica a públicos que talvez não acompanhem desfiles. Nos VMA, onde o exagero faz parte da memória da cerimónia, a passadeira funciona quase como um palco paralelo, embora cada artista escolha quanto quer jogar com essa expectativa.
O conjunto da noite pareceu menos sobre uma regra a seguir do que sobre recuperar o prazer de construir uma imagem completa. Renda, penas e estruturas rígidas podem soar a excesso quando isoladas; nos melhores casos, foram usadas para contar histórias diferentes sobre quem as vestia. É essa diferença, mais do que uma tendência para copiar, que torna estas chegadas interessantes de observar.



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