
Luísa Meireles vai deixar a direção de informação da Agência Lusa a 12 de outubro, depois de aceitar uma proposta de saída do conselho de administração. A diretora comunicou à redação que assinou um acordo de revogação do contrato de trabalho. Disse que, «ao longo do tempo», a situação se tornou «insustentável». Não foi apresentada uma causa única para a saída, e o acordo não esclarece, por si só, os motivos da decisão.
Meireles liderava a direção há oito anos. Ao descrever o papel da equipa, disse que procurou ser uma «ponte e uma barreira» entre a redação e a administração. Afirmou também que, durante o mandato, nunca interferiu na liberdade de escolha editorial dos jornalistas.
Na sua comunicação, a diretora referiu a audição parlamentar de Joaquim Carreira, presidente do conselho de administração da Lusa, em 29 de setembro. Segundo Meireles, nessa audição foi dito que ela atingiria o limite legal para continuar nas funções e mencionada uma possível situação de conflito de interesses por presidir à Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ). Depois, acrescentou, pediu esclarecimentos à administração, que lhe fez uma proposta de saída. Meireles aceitou-a. O relato deste percurso não permite concluir que algum dos temas mencionados tenha sido, isoladamente, a causa do acordo.
O conselho de administração agradeceu a Meireles e aos diretores-adjuntos Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues pela dedicação. No comunicado, destacou a conferência sobre o combate às notícias falsas, que deu origem ao serviço Lusa Verifica, os Encontros Lusa e os debates anuais associados ao Anuário Lusa. Não apresentou dados sobre o alcance ou os resultados destas iniciativas. A administração anunciou que a composição da nova direção será divulgada «em breve», sem indicar nomes ou uma data para o anúncio.
A saída acontece enquanto Meireles preside à CCPJ, cargo que ocupa desde fevereiro. A comissão é um organismo independente de direito público que regula a acreditação profissional dos jornalistas e acompanha o cumprimento dos seus deveres profissionais, incluindo as regras de incompatibilidades. Em comunicado citado pelo Observador, a CCPJ afirmou estar a concluir uma reestruturação. Entre as mudanças anunciadas está a eleição do presidente juntamente com uma lista, em vez da atual exigência de que seja um jurista cooptado pelos restantes membros.
Meireles é licenciada em Direito, exerceu advocacia durante dez anos e tem mais de 35 anos de carreira jornalística, segundo o Observador. A nova direção da Lusa será o próximo passo anunciado pela administração; até à divulgação dos nomes, não foi identificado quem assumirá as funções.



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