
O projeto LIFE SET-M vai receber 696.557 euros da União Europeia para preparar projetos de eficiência energética e energias renováveis em instituições sociais portuguesas. A iniciativa pretende estruturar uma carteira de investimentos de 33,6 milhões de euros para mais de 70 instalações das Misericórdias. O valor não corresponde a obras já aprovadas ou contratadas: é o investimento que o projeto se propõe preparar.
A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) coordena o consórcio, que integra também a União das Misericórdias Portuguesas (UMP), a sociedade de advogados TELLES e a consultora de engenharia ORLA. Segundo a ficha do projeto na base de dados oficial CINEA, a rede nacional da UMP reúne 388 Misericórdias. A SCML será o projeto-piloto, enquanto a UMP deverá promover o envolvimento das restantes instituições e a replicação das soluções.
O contributo europeu integra um orçamento elegível total de 733.218 euros. A ficha oficial prevê que o projeto decorra entre 1 de setembro de 2026 e 31 de agosto de 2029. A verba destina-se à assistência ao desenvolvimento dos projetos, incluindo preparação técnica e modelos de financiamento ajustados ao setor social. Entre as opções referidas pela CINEA estão subsídios, contratos com empresas de serviços energéticos, financiamento colaborativo e, potencialmente, obrigações verdes lideradas pela SCML. A ficha não especifica como será repartida ou financiada a carteira de 33,6 milhões de euros.
A carteira poderá incluir lares, centros de saúde, habitação social e espaços comunitários. Para as mais de 70 instalações, o projeto estima uma poupança anual de pelo menos 47,5 gigawatts-hora de energia primária e a produção de 7,9 gigawatts-hora de energia renovável. A previsão inclui ainda cerca de 6.412 toneladas de dióxido de carbono evitadas por ano. Estes valores são metas esperadas após a concretização das medidas, e não resultados já obtidos.
O LIFE SET-M integra o pacote de 135 projetos ambientais e climáticos anunciado pela Comissão Europeia a 19 de outubro. A EUbusiness indica que o conjunto receberá mais de 390 milhões de euros de financiamento europeu, perante necessidades totais de investimento de 579 milhões. No caso português, a notícia identifica o LIFE SET-M entre os projetos da vertente de transição para energia limpa. O trabalho imediato será transformar a preparação técnica e os modelos financeiros em propostas concretas para as instituições; a execução das intervenções dependerá dos investimentos que vierem a ser mobilizados.



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