
Portugal continental registou nove ondas de calor entre fevereiro e outubro de 2026, segundo o balanço provisório divulgado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a 18 de outubro. No mesmo período, o instituto contabilizou 98 dias em onda de calor, um máximo face aos anos anteriores indicados no balanço.
Os 98 dias ultrapassam os máximos anteriores referidos pelo IPMA: 97 dias em 2009 e 91 em 2017. As ondas contabilizadas distribuem-se por diferentes épocas do ano e variaram na duração e na extensão territorial. O balanço destaca a duração, a magnitude e a abrangência dos fenómenos registados em 2026.
A onda de 29 de junho a 11 de julho foi um dos episódios mais relevantes desde 1981. Segundo o IPMA, teve a maior magnitude total entre as ondas registadas este ano e a segunda maior extensão espacial. O balanço descreve-a como abrangendo grande parte do território continental.
Outro episódio de grande abrangência ocorreu entre 18 e 27 de setembro. Essa oitava onda de calor afetou 72% das estações meteorológicas do IPMA, com durações entre seis e dez dias. O instituto identificou ainda, preliminarmente, uma nona onda na região nordeste do país, iniciada a 10 de outubro; à data do balanço, previa que terminasse a 16. A caracterização deste último episódio mantém a ressalva de provisoriedade do balanço.
Para classificar uma onda de calor, o IPMA exige pelo menos seis dias consecutivos em que a temperatura máxima diária ultrapasse em mais de 5 °C a média das temperaturas máximas diárias do período de referência, atualmente 1991-2020. A classificação depende, assim, da persistência, durante pelo menos seis dias, de máximas mais de 5 °C acima da média de referência, e não apenas de um dia particularmente quente. O fenómeno pode ocorrer em qualquer altura do ano: uma onda de calor em fevereiro ou outubro significa temperaturas muito elevadas para a época.
O balanço inclui também episódios anteriores ao verão. A onda de 15 a 28 de abril abrangeu 40% das estações meteorológicas, no interior Norte e Centro, no vale do Tejo e no interior do Alentejo. Já o episódio de 20 de maio a 1 de junho teve uma duração média de 9,5 dias nas estações afetadas, o segundo valor mais longo neste indicador, segundo o IPMA. Os dados são provisórios; o documento detalhado associado à notícia do instituto está datado de 17 de outubro.



0 comentários
Inicia sessão para participares na conversa.